Atenção classe! A palavra de hoje é individualismo. A sociedade em geral (universidades, meios de comunicação, mundo corporativo etc) prega o ideal do egocentrismo. Somos doutrinados a nos preocupar mais com nós mesmos do que com as pessoas que nos rodeiam. Vemos pessoas bem-sucedidas e pseudo doutores dando dicas do sucesso a qualquer preço, da necessidade de se sobressair a todo o custo, de não aceitar ser um mero coadjuvante.
Às mulheres, então, é imposta uma meta inalcançável de serem as mais belas, as mais cultas, as mais magras, as primeiras a dominarem o mercado de trabalho. Até numa das relações mais puras do ser humano, que é a maternidade, há pressões deste tipo. É incutida a idéia de que não basta ser mãe; não se deve dar mais atenção aos filhos que a elas mesmas; deve-se buscar o sucesso profissional, pois quando os filhos crescerem irão abandona-las.
Outra marca do individualismo, e que é um hábito que começamos a adquirir na adolescência, é o de rotular as outras pessoas diferentes de nós. Aquele ali é "nerd", aquele é "filhinho de papai", aquela é "dondoca". Aliás, Machado de Assis já nos mostrou o perigo de querer catalogar outros indíviduos como se nós fossemos os únicos corretos.
Para quem já leu a obra clássica "O Alienista", conhece as confusões do personagem Simão Bacamarte, um psiquiatra respeitado que resolve internar em seu sanatório todos aqueles que julga loucos. Começa com o vaidoso, a supersticiosa, até chegar ao ponto de internar a própria esposa em razão dela estar indecisa por qual colar usar em uma festa. Bacamarte, então, ao perceber que todos têm algum caso de insanidade, e achando ser o único são, se tranca em seu casarão, onde vem a falecer após alguns meses.
Mas mesmo após tanto tempo, nossa sociedade ainda se vê tentada a pregar o conceito do unitário sobreposto ao conjunto. Por sinal, o que toda essa filosofia "moderna" não leva em consideração é que não somos indivíduos autótrofos, mas seres comunitários, ou seja, para o nosso crescimento é primordial a "comum" "união".
Quantas vezes nos trancamos em nós mesmos e buscamos na auto-suficiência a felicidade? Ora, se levarmos em consideração que o bem-estar do todo também nos trará alegria, seria tudo mais fácil. O próprio sentimento de inveja é autodestrutivo, pois entristece a pessoa só pela evolução de um semelhante. Tomando como referência o corpo humano (clássico exemplo de cooperação entre órgãos), conseguiriam os braços serem felizes enquanto sofrem as pernas? A boca inveja os olhos porque eles conseguem enxergar as belezas do mundo?
Cuidado com a ideologia que você compra, assim como cuidado com o que você deseja, pois se buscamos um mundo para reinar, ou acumular todas as riquezas da terra, estaremos perdendo o único precioso presente que nos foi dado, a relação humana. Minha dica final é: Namore, tenha amigos, case-se, constitua família, ame seus semelhantes, porque o que se leva dessa vida é a vida que se leva.
Um comentário:
Dani, a vida é cheia de paradigmas de comportamento que acabam nos tabulando e, em consequência, nos privando de bons momentos. Não há dúvida que temos que ter sonhos e metas na vida, mas eles não podem nos incapsular!!!
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