É muito comum que o pensamento recorrente nessa época do ano seja: Como faz frio! Aliás, de pessoa para pessoa muda a opinião sobre o frio. Para os cientistas ele sequer existe, sendo apenas a ausência de calor; para os românticos é época de mãos frias e corações quentes; para os gulosos é a estação ideal para se empanturrar de doces e chocolates; para os esportistas é um empecilho para a execução das tarefas mais simples de seu cotidiano.
Mas pensando em todos os enfoques sobre o frio, o que mais me seduziu foi sob o ponto de vista de um urso. Isso mesmo, fiquei com uma pitada de inveja desse mamífero peludo. É claro que no inverno sentimos um estado letárgico que nos faz perder a vontade de sairmos de nossas camas, mas o urso é quem realmente coloca isso em prática e hiberna até que se renove o tempo e as coisas melhorem a sua volta.
Não me entendam mal, pois essa inveja que sinto não tem nada a ver com preguiça ou vontade de se isolar do mundo. A beleza da hibernação é poder ter por um longo período um contato direto consigo mesmo. É estar num prolongado sonho que organiza nossas ideias, até porque, como diria Mario Quintana, "Sonhar é acordar-se para dentro".
A hibernarção também é um exercício de paciência. Aprende-se com ela que, em momentos de dificuldades extremas, o melhor é recolher-se, deixando para agir somente após passar as turbulências e o mau tempo. Este estado de autoconhecimento é buscado por diversas culturas e religiões, mas nem o ápice do Nirvana budista é comparável a um Inverno inteiro de introspecção.
É uma pena que este fenônemo seja praticado apenas pelos nosso amigos irracionais, pois se aqueles que tomam decisões em tempos de crise tivessem esta habilidade, a humaninidade estaria em outro nível na escala evolutiva.
Um comentário:
Dani,
concordo plenamente ... acho que vou colocar em prática a tal da hibernação rsrs
Saudades de vcs!!!
Beijão
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