10 de julho de 2009

O cinema é arte

Muitas vezes um filme é muito mais que uma história. Enredos "cabeça", histórias tocantes ou tramas emocionantes, podem ficar em segundo plano quando aquele que produz o filme resolve fazer do cinema uma tela de pintura e presentar os espectadores com imagens belíssimas. Nesse quesito se destaca o diretor e produtor Tim Burton, que em todos os seus filmes faz uma direção de arte notável.

Ressalta-se que Tim Burton usa em seus filmes um dom aprimorado em sua formação, uma vez que seu início de carreira se deu como animador dos Estúdios Disney. O tom azulado que envolve suas histórias, a riqueza de detalhes de seus cenários e a preocupação em inovar e trazer qualidade ao figurino de seus personagens, são traços inconfundíveis das obras de Burton. Ademais, na maioria de seus filmes o ator Johnny Depp e a atriz Helena Bonhan Carter (esposa de Burton) estão presentes, seja atuando, seja dublando.

Em primeiro lugar devemos destacar o nível de excelência de suas animações. Especialista no gênero Stop-Motion (aquele que utiliza personagens e cenários em miniaturas esculturadas, fotografando quadro a quadro as posições para dar a impressão de movimento), Burton fez o inovador e visionário "O estranho mundo de Jack" e sua obra-prima "Noiva cadáver", que injustamente perdeu o Oscar de melhor animação para "Wallace e Gromit: A batalha dos vegetais".

Quanto aos filmes, Burton mostrou um mundo colorido e visualmente fantástico em sua fábula "Eduard mãos-de-tesoura"; representou a escuridão e a decadência de Gothan City de uma forma poética e em contornos góticos em "Batman" e "Batman, o retorno"; caracterizou de forma sombria, e com cenários que mais parecem pinturas, a sociedade americana no século XVIII em "A lenda do cavaleiro sem cabeça" (que inclusive ganhou o Oscar de melhor direção de arte em 2000); e trouxe técnicas visuais inovadoras em um de seus mais belos filmes "Peixe grande e suas histórias maravilhosas".

Teve a coragem, ainda, de refilmar dois clássicos do cinema americano: "O planeta dos macacos" e "A fantástica fábrica de chocolates". Por sinal, a preocupação estética e a perfeição da maquiagem nessas duas adaptações, fez com que muitos (nos quais eu me incluo) considerassem essas duas películas melhores que as originais.

O seu último filme lançado nos cinemas "Sweeney Todd", lhe rendeu a indicação ao Oscar de melhor diretor. O filme não agradou o público em geral, porém, eu entendo que este fato se deu por ser uma ópera de terror, pois se levarmos em consideração o trabalho técnico, a história sobre o barbeiro demoníaco é uma das melhores edições artísticas dos últimos anos, com cenários, figurinos e fotografia impecáveis.

Para quem ficou interessado em acompanhar mais as obras desse diretor que leva o cinema como uma real arte, já está em fase de pré-produção seus dois novos filmes. A animação "9" e a adaptação para o gênero terror do livro de história infantil "Alice no país das maravilhas". Esses eu quero conferir!

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