Cá de volta a São Paulo, dentro de uma sala de um escritório, e meu único pensamento recorrente é: "Vou-me embora pra Pasárgada". Assim como nos versos célebres do meu poeta favorito, Manoel Bandeira, todos temos uma Pasárgada para a qual queremos regressar. Este local ideal, onde recebemos tratamento diferenciado e vivemos a vida de uma forma simples, é tão sedutor que a monotonia do cotidiano é suprimida por nossa imaginação, ao nos projetarmos em uma terra tão maravilhosa.
"Lá sou amigo do Rei". Isso mesmo, em Pasárgada somos importantes, tratados de forma especial, principalmente se em sua Pasárgada se encontra uma mãe acolhedora ou uma esposa zelosa. Lá nos divertimos com prosas infantis e brincadeiras que nos remetem a períodos mais felizes de nossas vidas. Lá somos nós mesmos.
Bem, para muitos Pasárgada é sua terra natal, ou a casa de seus pais, ou até mesmo um lugar que costumava ir no início de seu namoro. Mas sempre é um local que deixamos para trás, que voltamos somente em raros momentos de lazer.
Talvez, se tivessemos ficado em Pasárgada, nossa visão não seria tão glamurosa desse território. Sonharíamos, então, com mares nunca dante navegados. Mas a verdade é que precisamos de Pasárgada, pois quando os problemas nos encontram, esse refúgio encantado é o único alento e guarida para repousar nossas mentes intranquilas.
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