23 de junho de 2009

Cebolinha na visão de Tarantino

Para aqueles que conseguem ver além dos exageros e da violência, os filmes do diretor Quentin Tarantino são obras a serem degustadas. São tentativas constantes de mudança de narrativa; técnicas de direção arrojadas; trilhas sonoras eletrizantes. Mas há ainda uma cereja em cima do bolo em suas películas. Sempre esperamos por uma teoria espirituosa e inteligente sobre um assunto sem relevância.

São inúmeros exemplos: As teorias sobre gorjeta e a música "like a virgen" no imperdível "Cães de aluguel"; A piada sem noção contada a um barman em "A balada do pistoleiro"; O paralelo entre o super-homem e as fraquezas humanas em "Kill Bill"; A célebre afirmação de que "Top Gun" é um filme homossexual em "Vem dormir comigo"; A explicação sobre o nome do Big Mac na Holanda em "Pulp Fiction" etc.

Por sinal, esse tema foi objeto de uma recente paródia do ator Selton Mello, denominada "Tarantino's Mind", com a participação de Seu Jorge, que você pode assistir aqui no Blog (É só clicar na telinha do filme que fica ao lado das mensagens postadas).

Bem, irei me aventurar nesta praia, pois eu tenho uma teoria relevante sobre algo irrelevante. O Cebolinha, aquele personagem de desenhos de Maurício de Souza, é a personificação daquela pessoa competitiva e invejosa que tanto nos incomoda no trabalho ou na vida pessoal. Por sinal, quem não tem um Cebolinha na sua vida.

De certo que o perfil Cebolinha é daquele encosto que sempre deseja aquilo que temos, que quer fazer tudo igualzinho ao que fazemos e com uma mania de grandeza e um egocentrismo exacerbado.

Veja como se aplica. O maior desejo do Cebolinha é um objeto que não lhe pertence (o coelinho Sansão da Mônica) e, como não o tem, usa de maledicências e injúrias para denegrir as pessoas (ele sempre pixa os muros com ofensas a Mônica). A mania de grandeza também é uma caracteristica que vemos (ele sempre tem um plano INFALÍVEL).

Outro ponto a se ressaltar é que, assim como as pessoas competitivas, o Cebolinha se cerca de indivíduos com pouca, ou quase nenhuma, autoestima, para que possa subjugá-los (tanto que seu melhor amigo é o Cascão, um garoto sem asseio pessoal e facilmente manipulável).

Por fim, vale a pena falar que esse tipo de indivíduo tira qualquer um do sério, pois suas táticas são tão persistentes e irritantes que é difícil manter a calma. Mas cuidado, assim como acontece com a Mônica, se lutarmos por nossos direitos ou defendermos o que é nosso, nós é que passamos por "briguentos" e "rabugentos".

3 comentários:

Marcelo Aith disse...

Dani,
fantástico o texto!!

Daniel Heidrich disse...

Marcelo, obrigado. Sei que você já enfrentou um(a) Cabolinha em sua vida. Aliás, quando tiver idéia de assuntos para eu abordar posta aqui.

Sumaya disse...

Dani,
Adorei a teoria!!
Ótimo texto!!!
beijos,
Su